Diva Moreira nasceu em Bocaiuva, Minas Gerais, em 8 de junho de 1946. Tem mais de seis décadas de atuação em defesa dos segmentos mais destituídos da sociedade brasileira e mesmo de mulheres da elite quando participou da Campanha Quem Ama não Mata.
Durante a ditadura empresarial-militar, ela participou do movimento operário, do feminista, da reforma sanitária que criou o SUS, e foi uma das pioneiras na defesa dos pacientes internados nos hospícios de Barbacena.
Desde a década de 1980, Diva voltou-se em especial para as lutas pelos direitos do povo negro, com ênfase sobretudo na construção da identidade negra, na valorização e apoio de sua cultura e na pesquisa de sua história. Diva é uma defensora incansável da democracia, dos direitos humanos, bem como da justiça e igualdade racial no país.
Sendo neta de um ex-escravizado, filha de uma empregada doméstica, Diva iniciou sua jornada acadêmica em 1967, graduando-se em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É mestra em Ciência Política tendo concluído seu mestrado, também na UFMG, em 1973.
Diva Moreira, uma mulher negra movida pelo desejo de transformar o mundo, começou sua formação política no seio da Igreja Católica progressista da Teologia da Libertação. Em 1968, durante o endurecimento da ditadura com o AI-5, ela se filiou ao Partido Comunista Brasileiro.
Nos anos 1970, Diva engajou-se na luta antimanicomial e, em 1983, destacou-se na psicologia social com a publicação d o livro “Psiquiatria: controle e repressão social”, fruto de sua pesquisa no Hospital Colônia de Barbacena, uma instituição psiquiátrica notória por sua violência e mortes. Essa atuação pioneira aprofundou sua compreensão das desigualdades de raça, gênero e classe.
Durante a ditadura, Diva foi uma das fundadoras do Movimento Feminino pela Anistia em Belo Horizonte, juntamente com familiares de presos, desaparecidos ou exilados. O retrato perfeito desta mulher é pintado pelo desejo de mudar o mundo!
Após esse período, ela intensificou a luta contra o feminicídio e pela cidadania, criando a Casa Dandara – Projeto de Cidadania do Povo Negro, no final dos anos 1980.
Diva Moreira também é reconhecida pela criação da Secretaria Municipal para Assuntos da Comunidade Negra em Belo Horizonte, a única experiência desse tipo no Brasil, instituída durante a gestão do prefeito Célio de Castro (1997-2000).
Hoje, Diva é uma voz crucial na implementação de políticas públicas para a promoção da igualdade racial e se alinha com a agenda contemporânea transnacional do Feminismo Abolicionista, não punitivista e antirracista.
Assim como uma árvore fértil e frondosa, Diva Moreira continua a inspirar resistência, sensibilidade, excelência e força. Com sua experiencia nos inscita a florecer e nos empodera a colher frutos de uma relacao intersocial mais justa.
Finalmente, é importante destacar que Diva faz pesquisa sobre a história do povo negro no Brasil, desde 2001, quando passou um ano acadêmico na Universidade do Texas, em Austin. Atualmente está finalizando seu livro intitulado: Reparações – um projeto de Brasil
É defensora incansável dos direitos dos povos indígenas e da Terra, da população LGBTQI+, da democracia popular e do socialismo, dos direitos humanos, do abolicionismo penal, bem como da justiça e igualdade racial no país, por meio das Reparações.
Como tantas outras pessoas que a anteciparam e tantas outras que prosseguirão nas lutas, Diva é uma mulher movida pela Utopia de mudar o mundo!